Forza Horizon 3

Eu acho que tem alguém grande na Playground Games que fica puto demais com review de jogo, daqueles que fica cheio de vontade de calar a boca de todo mundo. O Forza Horizon 2 recebeu umas críticas com respeito a falta de customização do personagem, algo que deve ter incomodado rigorosamente zero pessoas sem a obrigação de fazer uma lista de prós e contras correndo contra o relógio, mas esse trabalhador imaginário da Playground é orgulhoso demais e se prometeu que essa crítica eles não receberiam mais.

Forza Horizon 3 deixa a gente customizar até a mãe. Ele vai nos dando as opções aos poucos, não apenas por ser uma carga de informação grande demais para absorver de uma vez, mas porque faz sentido no contexto narrativo mesmo. O Horizon 3 é o nosso festival, é nosso dever tornar ele um sucesso, atrair fãs para fazê-lo crescer. E, para isso, a nossa organizadora vai inventando formas diferentes de criar eventos, tudo bem aos poucos, conforme a necessidade. É uma coisa de festival mesmo, quem já viu algum crescer sabe o trabalho que dá trazer inovações coerentes com o conceito do espetáculo e evoluir o que já existe, e é mais ou menos esse o nosso papel: criar corridas, eventos e pegar carros para tornar o desafio atrativo para o público assistir e pessoas do mundo real quererem jogar. Em troca, a gente ganha recursos conforme os visitantes.

Embora mais pessoal que os anteriores, Forza Horizon 3 ainda é mais sobre o festival do que sobre corridas. É um sentimento que nós conhecemos bem: a Copa do Mundo é mais sobre ela mesma do que sobre futebol, um espetáculo que envolve até quem não gosta do esporte porque tem alguma magia acontecendo. E Forza Horizon, ao contrário de Motorsport, não é um jogo para fanáticos por carros, é apenas sobre pegar um carro e ir ganhando corridas (oficiais e oficiosas) e fazendo manobras, como em um Tony Hawk’s Pro Skater. Não entenda isso como falta de variação entre os carros, elas são bem perceptíveis e bem exploradas por um level design de uma qualidade que não se vê em jogos de mundo aberto de qualquer gênero.

Só que Forza Horizon 3 a gente também organiza. Com os recursos certos conquistados, nós optamos em abrir ou ampliar uma nova região da Austrália (praia, cidade, deserto e pradarias, todas bem características), e nosso prêmio por isso são mais corridas. Há campeonatos com carros de rally, carros de ponta, carros antigos e mais uma variedade imensa de qualificações que são possíveis para carros. E, bem, como o jogo é sobre customizar, você pode pegar uma pista de rally e correr com um fusca se quiser, basta ter o carro. Você vai apanhar porque o traçado não foi feito para aquilo, mas é bem bacana explorar as possibilidades. Elas ampliam nossa visão sobre aquela corrida.

O negócio é que chega um ponto em que aparece tanta coisa para fazer que a gente precisa negar algumas delas para seguir em frente. Marcamos um ponto de corrida para ir e “ish, tem celeiro novo pra procurar”, “já dá pra ampliar esse ponto”, “opa, um potencial corredor para sua equipe, vai lá” ou o radialista “corrida de habilidades, fiquem 9 min fazendo manobra ao som de Mozart (ou 2 com Offspring, depende da estação)”. Chegou um ponto em que eu simplesmente tinha umas oito horas de jogo e 2% de progresso porque eu aceitava tudo que vinha, me perdi a ponto de sequer saber como progredir.

E, bem, Forza Horizon é esse parquinho em que temos carros super potentes ou muito raros no qual podemos fazer umas corridas, desafiar um caça ou só ficar fazendo umas manobras no deserto enquanto toca drum’n’bass. O festival está no nosso nome (literalmente, dá para customizar até isso) e, enquanto ele estiver crescendo, nosso destino está na nossa mão. E como em qualquer festival grande, apreciar o evento principal ou as maravilhas que os rodeiam são atividades prazerosas. Está na nossa mão escolher o que preferimos, quando preferimos.

Escrito por Roberto Rezende

Odeia jornalismo.

  • É um jogo que eu quero bastante jogar. Bom vê que ele é elogiado até por quem odeia jornalismo -q. Belo texto, Rezende!