Broforce

Eu sempre gostei dos chamados ‘Brucutus’ do cinema. O brucutu é, normalmente, um sujeito de porte físico com proporções hercúleas, perito em todo e qualquer material bélico que a humanidade possa ter criado e que faz questão de resolver seus problemas com balas e explosivos. Problemas estes que podem ser desde bandidos de bairro até aliens armados até os dentes. Quem cresceu nos anos 80 ou 90 ainda pegou um pouco da época de ouro desse gênero, que tinha filmes como Escape From New York e Terminator.

Esse foi um gênero muito prejudicado pela cultura do ‘Politicamente Correto’. As cenas de ação foram podadas para serem exibidas em horário nobre e os roteiros não conseguiam acompanhar as novas gerações, que não se interessavam pelos personagens rasos e na estrutura frenética destes filmes, que passaram a ser ridicularizados e vistos como ‘trash’.

Contra foi um dos principais jogos a serem influenciados pelo auge destes filmes . Os personagens eram assumidamente inspirados em Stallone e Schwarzenegger e os cenários lembravam Alien. Além da estética, os estereótipos também estão ali, como as explosões, as armas gigantes, o musculoso capanga e tudo o que caracteriza o gênero. Era natural que Contra ganhasse a atenção que ganhou pois, nessa época, suas influências eram atuais e essas referências eram executadas e recebidas com naturalidade.

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Hoje em dia não é comum levar esse tipo de tema a sério e Broforce tem muita personalidade para não se ridicularizar ao abraçar um tema que ja é constantemente ridicularizado. Seus criadores conhecem todos os clichês e estereótipos que colocaram os Brucutus no ostracismo antes de ressurgir com o viés humorístico que possui atualmente, a ponto de tudo soar natural, sem ser refém da própria piada.

Se Broforce tivesse sido lançado nos anos 90, provavelmente haveria fliperamas do jogo, talvez concorrendo espaço com Contra. Eu com certeza continuaria jogando Contra, embora tivesse que pensar muito mais vezes antes de gastar aquela valiosa ficha. Se ao menos eu pudesse utilizar os 2 créditos de cada ficha em máquinas separadas, eu com certeza o teria jogado por muito mais tempo e assistiria Stallone Cobra mais vezes. Se fosse assim, eu provavelmente estaria dirigindo filmes de ação agora e me chamaria de John McClane enquanto brincava de ‘Policia e Ladrão’.

Talvez o último parágrafo tenha sido um tanto hiperbólico. Essa é a palavra que melhor define Broforce e também é o que é passado o tempo todo para quem segura o controle e aperta aqueles botões enquanto o joga. Tudo é explosivo, grande, destrutivo e catastrófico, porém sem o lado ‘trágico’ que essas coisas trazem. Aliás, é justo dizer que Broforce é uma grande caricatura. Principalmente com os personagens ou, melhor, os ‘Bros’, que são versões caricatas de grandes brucutus do cinema, como Van Damme, Chuck Norris e Kurt Russell. O objetivo aqui é resgatá-los pelos cenários e combater as forças do mal, que são representadas por terroristas, demônios, aliens e o que mais de badass e absurdo vier pela frente.

Resgatar os bros pelos cenários é mais ou menos como pegar uma arma que está no chão e, automaticamente, ter ela equipada, substituindo a anterior. Ou seja, ao salvar um bro, você passa a ter controle sobre o bro resgatado. Isso força o jogador a descartar o personagem anterior e se virar com o que apareceu ali na hora. É mais ou menos o inverso do que acontece em jogos como Binding of Isaac ou Rogue Legacy, onde os cenários são gerados aleatoriamente. Aqui, os cenários continuam os mesmos, porém, por mais paradoxal que isso possa soar, o level design é alterado, pois nem sempre o personagem controlado funciona em determinado contexto. Isso acontece por conta da variedade dos personagens, todos eles com características quase singulares e fiéis a suas paródias. Indiana Brones, por exemplo, tem um chicote que pode ser usado tanto para ‘stunar’ inimigos quanto para alcançar lugares mais altos. The Brode é uma ninja com golpes melee, e por aí vai.

Lembro de como era o level design de Worms, que tinha o cenário destrutível como um fator importante para o desenvolvimento e execução de uma estratégia. Aqui não é diferente. Embora alguns personagens não funcionem muito bem em determinadas situações, é possível destruir pedaços do cenário para sair de buracos ou executar ataques em cadeia. É uma evolução natural do que Worms fez, só que em tempo real e de forma mais imprevisível ainda.

Essa ansiedade em tornar tudo imprevisível é o que mais atrapalha Broforce, porém isso não quebra o jogo de jeito nenhum. Algumas escolhas de estrutura desfavorecem o jogo, porém existem muito mais ideias que, embora simples, tornam tudo muito divertido e fazem tudo fluir bem. Eu gosto de como tudo é frenético e hiperbólico sem soar bobo. De vez em quando, faz bem não se levar a sério.

Broforce é como assistir Stallone Cobra. Não da pra levar a sério, mas é extremamente divertido.

Escrito por Wesley Cesário

70% composto de Kojima, futebol e programação.